O
Maracatu Nação Fortaleza, em seu desfile carnavalesco do ano de 2009, apresenta o tema
Saudação Ao Afoxé Filhos de Gandhy, fazendo coro às manifestações de todos os
brasileiros nas comemorações dos sessenta anos deste importante símbolo carnavalesco do
povo baiano.
O Maracatu Nação Fortaleza, lançando seu olhar na direção da festa carnavalesca e da
representação cultural de tradição afro brasileira, a expressar de forma contundente a
presença do negro irmanado aos índios, brancos e mestiços, alia a esta referência a
ênfase em ações cuja orientação valoriza e difunde matrizes culturais formadoras de
nossa riqueza e diversidade, enriquecendo o ambiente do carnaval cearense com a inclusão
de temas relacionados aos costumes e tradições de outros estados do Brasil.
O Afoxé Filhos de Gandhy tem uma sólida trajetória de resistência e reafirmação das
tradições culturais, artísticas e religiosas, centrada na herança das nações
africanas, presente no cotidiano do povo baiano e belamente ilustrada ao ritmo do ijexá e
ao som de cânticos iorubanos. Em 1949, com a política de arrocho salarial, em virtude da
economia do pós-guerra, o Governo Federal interveio nas organizações sindicais
brasileiras, diminuindo consideravelmente a renda do Sindicato dos Estivadores.
O bloco Comendo Coentro, fundado em 1948, não teve condições de desfilar, por causa da
crise financeira e também em virtude da recusa de seus brincantes de saírem em
condições inferiores às do ano anterior. Surgiu então a idéia da criação de um
bloco, idealizado por Durval Marques da Silva, o Vavá Madeira, com apoio dos estivadores
portuários. Reunidos com o intuito de brincar o carnaval de qualquer maneira, os membros
do grupo improvisaram a fantasia com toalhas e lençóis brancos, simbolizando as vestes
indianas, utilizando couro e barris de mate na confecção dos tambores usados para
acompanhamento do cortejo. O nome do bloco, por sugestão de Vavá Madeira, foi inspirado
no pacifista Mohandas Karamchand Gandhi, conhecido como Mahatma Gandhi, surgindo daí, no
dia 18 de fevereiro de 1949, o bloco Filhos de Gandhy, botando o y no lugar do i, tentando
evitar represálias da ditadura do Estado Novo pela referência ao líder indiano.
Em 1950 foram introduzidas alegorias representativas dos sentimentos do Mahatma Gandhi: a
cabra, símbolo da vida, e o camelo, símbolo da resistência. Em 1951 o bloco foi
transformado em afoxé, por terem sido introduzidos cânticos tradicionais africanos e a
adoção do candomblé como orientação religiosa.
Constituído exclusivamente de homens e inspirado nos princípios de paz e não violência
do Mahatma Gandhi, o Afoxé Filhos de Gandhy conserva a religiosidade afro brasileira
ritmada pelo agogô, entoando cânticos de ijexá na língua iorubá. Além do traje
tradicional, composto do turbante e das vestimentas, o Gandhy incorporou o perfume de
alfazema e colares de contas azuis e brancas. Os colares, além de usados pelos
brincantes, são oferecidos aos admiradores do Gandhy como forma de desejar-lhes paz
durante o carnaval e ao longo do ano. O afoxé enfoca Oxalá, o Orixá maior. O branco e o
azul intercalados representam o fio de contas do Oxalá menino, o Oxaguiam. O branco
corresponde a Oxalufon, seu pai, e o azul corresponde a Ogum. |