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| CORTEJO
DO CARNAVAL 2008 |
| Tema : MÃE CONGA, MÃE PRETA GUERREIRA - Autor: Calé Alencar |
LOA:
A com B
Um B macumbê a bá
B com A
Um B macumbê a bá
Desde quando bate o ferro
Nas ruas dessa cidade
Pretos velhos, balaieiros
Reis de negra majestade
Entre brados e batuques
Pra nossa felicidade
Índias, negras e calungas
Entoam loas de liberdade
Conga, Conga, Conga Baiana
Nossa mãe preta vem abençoar
Conga, Conga, Conga Baiana
Ê mãe guerreira
Mãe Preta que vem saravá |
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Vem com o Mestre Boca Aberta
Zé Bem-Bem e Benoit
Vem com Afrânio e Mestre Juca
Pedro Artur, Dragão do Mar
Fez-se berro, força e fúria
Em Tristão de Alencar
Vem Maracatu Nação Fortaleza
Bate o tambor pra Mãe Conga passar
Conga, Conga, Conga Baiana
Nossa mãe preta vem abençoar
Conga, Conga, Conga Baiana
Ê mãe guerreira
Mãe preta que vem saravá |
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O
Maracatu Nação Fortaleza, agremiação participante do carnaval de rua na capital
cearense desde o ano de 2005, se propõe a apresentar, no desfile carnavalesco de 2008, o
tema Mãe Conga, Mãe Preta Guerreira, em homenagem aos 100 anos da Umbanda no Brasil,
destacando a figura da preta velha africana, griô, guardiã da sabedoria e símbolo da
África Mãe, com a intenção de homenagear os pretos-velhos que deixaram o continente
africano para criar, no Brasil, a cultura religiosa da Umbanda misturada com a pajelança
dos povos nativos, impregnada de signos da religiosidade dos colonizadores, unindo reis
negros, santos católicos e caboclos da mata para compor o culto também denominado
Macumba, em reverência à trajetória de um século da Umbanda no Brasil, fato histórico
a ocorrer em 15 de novembro de 2008, lembrando a primeira manifestação de Zélio
Ferdinando de Moraes, que, aos 17 anos, incorporou o caboclo Sete Encruzilhadas. |
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Com a intenção de aproximar o tema Mãe Conga, Mãe Preta
Guerreira dos personagens marcantes do ambiente carnavalesco, do universo das artes, da
trajetória política e do compromisso social, nomes de vultos históricos do Ceará
serão lembrados, traçando um fio condutor a consolidar e reafirmar nossa presença na
festa carnavalesca e no ambiente dos maracatus, contribuindo para a continuidade da
expressão artística e cultural cabocla, européia e afro-descendente, síntese da
miscigenação formadora do povo brasileiro.
A opção pelo tema Mãe Conga, Mãe Preta Guerreira, é uma forma de reconhecer a
importância da mãe preta, símbolo da raça negra trazida da África para o Brasil. Mãe
Preta, Mãe Conga, Conga Baiana, ao mesmo tempo África e Brasil, simbolizando a
perseverança do povo africano, arrancado de suas terras e utilizado como mão-de-obra
escrava nas colônias americanas dos países europeus. Mãe-Conga-África de todos os
batuques, todos os santos e orixás, ensinando o povo brasileiro a entoar seus cantos e
dançar seus ritmos, capoeiras e jongos. África-Conga-Mãe, ama de leite do Brasil, ao
mesmo tempo mucama e rainha, senhora e escrava, mãe e irmã da nação brasileira,
espelho do reino do Congo africano refletindo a alma da nossa gente, no ensino das
receitas e das rezas, das roupas e dos rituais. Mãe Conga acolhendo a todos em seu
abraço, nos confortando em seus braços generosos. Mãe Conga Maracatu, Mãe Conga Samba,
Mãe Conga Anastácia, santa do povo. Mãe Conga Nossa Senhora do Rosário, em cujas
irmandades e igrejas aconteciam coroações de reis negros. Mãe Preta benzendo filhos
pretos, brancos e índios sob seu manto. Conga Baiana Zumbi, eternamente símbolo da
resistência do povo afro-índio. Mãe Conga Ginga NBandi, negra luz, sopro de vida
e de coragem, Mãe Preta de Obaluaê e de Babalaô, Mãe Preta Conga, Conga Baiana a nos
guiar. Mãe Conga, Mãe Preta Guerreira, com seu axé abençoando o povo do Brasil e se
dizendo presente na loa e na luta, no sorriso e no suor, no cortejo e no coração dos
brincantes. |
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