Em
1670, então com quinze anos, Zumbi foge para viver com os negros de Palmares, trocando
seu nome cristão por um nome africano. Dois anos depois a povoação que o acolheu
nomeou-o maioral. Esta comunidade passou a ser designada Zumbi, por parte dos portugueses.
Em 1673 Zumbi derrota a expedição de Antônio Jácome Bezerra e torna-se um cabo de
guerra. Em 1677, durante a expedição de Fernão Carrilho, transforma-se no
comandante-geral das forças do Quilombo dos Palmares, porém ainda subordinado a Ganga
Zumba. Sofre um ferimento durante a expedição comandada por Manuel Lopes Galvão que o
deixou manco. Ao mesmo tempo que ampliava seu poder em Palmares, Zumbi procurava minar o
comando de Ganga Zumba, cujas funções correspondiam a de um chefe de Estado. A
conspiração ampliou-se, Ganga Zumba foi envenenado e seus homens mais fiéis foram
massacrados, iniciando-se uma luta de facções. Zumbi, diferente de Ganga Zumba, era
contrário a qualquer compromisso mais estreito com as autoridades portuguesas.
Em 1680 os negros palmarinos atuavam na região atacando povoações e plantações,
apoderando-se de armas e munições. Em julho de 1683 Carrilho marcha novamente sobre
Palmares, não obtendo grandes resultados. O governador João de Souza destitui Carrilho
alegando falta de empenho e o acusa de manter conchavos com Zumbi. Um novo governador,
João da Cunha Souto Maior, chega a Pernambuco em 1684. Este prosseguiu negociações com
os palmarinos até 1686, quando foi obrigado a suspendê-las devido à impaciência dos
senhores de engenho. Com muita dificuldade, organizou uma nova expedição e a ofereceu a
Fernão Carrilho, preso por ordem do ex-governador João de Souza. Carrilho partiu de
Alagoas a 10 de janeiro de 1687 e sua campanha foi novamente fracassada.
Segundo Décio Freitas, no livro Palmares: A Guerra dos Escravos: "Os
bandeirantes foram, pois, uma tropa de choque a serviço do colonialismo português, e
não outra coisa" (pg. 141), "sua sanguinária ferocidade, sua incrível
resistência à fome e seu íntimo conhecimento do sertão faziam deles o elemento humano
ideal para o combate aos palmarinos" (pg. 142). Assim, em 3 de março de 1687, o
governador Souto Maior assinou um protocolo com os enviados do bandeirante paulista
Domingos Jorge Velho, que se mostrou disposto a empreender uma campanha contra Palmares,
sendo que o governador teria que fornecer todo o material necessário à expedição e, em
troca, Jorge Velho comprometia-se a destruir todos os negros levantados, tendo o direito
de lucrar com a venda dos capturados e recebendo como doação as terras de Palmares.
Em 1689 os palmarinos continuavam espalhando terror na região de Alagoas, enquanto
Domingos Jorge Velho combatia uma rebelião de índios Janduins no Rio Grande do Norte.
Somente em 1691, após intensos esforços do novo governador de Pernambuco, Antônio
Félix Machado da Silva, marquês de Montebelo, Jorge Velho seguiu para Pernambuco, de
onde partiu para atacar Palmares, fracassando em sua primeira incursão. Em março de 1693
o rei D. João IV nomeia Caetano de Melo e Castro para governar Pernambuco e em 9 de abril
ratifica o acordo celebrado com Jorge Velho. Em novembro começam a chegar tropas e
mantimentos em Porto Calvo, local escolhido como centro de operações contra o Quilombo.
Segundo Décio Freitas "este exército somava ao todo - incluída a força de
Domingos Jorge Velho - mais ou menos nove mil homens (...) Em todo caso, eram forças
militares como nunca antes a colônia vira. Pode aquilatar sua importância à luz do fato
de que os holandeses haviam conquistado Pernambuco com pouco mais de sete mil homens"
(pg. 157). Domingos Jorge Velho iniciou o ataque a Palmares em janeiro de 1694. Em 3 de
fevereiro chegaram seis canhões, em 6 de fevereiro a cidadela negra havia sido tomada,
porém Zumbi conseguira escapar com vida.
Em novembro de 1695, um dos homens de confiança de Zumbi foi capturado e denunciou o
esconderijo de seu líder. O ataque foi massacrante, Zumbi não teve como resistir e foi
assassinado no dia 20, tornando-se, por sua bravura e resistência heróica, o grande
símbolo dos negros em sua luta pela liberdade. Em sua homenagem, o dia 20 de novembro é
o Dia Nacional da Consciência Negra. |