Foi o pioneiro ao compor e cantar em português, criando o lema:
Não tem pátria um povo que não canta em sua língua. Foi um dos artistas
brasileiros de maior reconhecimento internacional, tendo estudado em Roma, Viena, Berlim e
Paris com renomados mestres, a exemplo de Sgambatti, De Sanctis, Lechetitzki, Guilmant e
Von Herzogenberg. Também regeu festivais de música brasileira em Bruxelas, Paris e
Genebra.
Filho de
Vitor Augusto Nepomuceno e Maria Virgínia de Oliveira Paiva, foi iniciado nos estudos
musicais por seu pai, violinista, mestre de banda e organista da Catedral de Fortaleza.
Alberto Nepomuceno foi criado em Recife, onde começou a estudar piano e violino. Aos 18
anos já era diretor e regente da Orquestra do Club Carlos Gomes.
A
convivência com alunos e mestres da Faculdade de Direito do Recife foi fundamental para a
postura política que viria a adotar mais tarde. Entre estes nomes estavam Alfredo Pinto,
Clóvis Bevilácqua e Farias Brito. Neste período, a Faculdade de Direito era um grande
centro intelectual do país, onde borbulhavam os estudos sociológicos de Manuel Bonfim e
Tobias Barreto, que acabaram despertando em Nepomuceno o interesse pelos estudos da
língua alemã e da filosofia. O compositor também tornou-se um atuante defensor das
causas republicanas e abolicionistas.
Os ideais
políticos continuaram em evidência quando retornou ao Ceará e Nepomuceno deu
seqüência ao seu sentimento abolicionista colaborando com vários jornais ligados à
causa. Este fato acabou interferindo em seu pedido junto ao governo imperial para custear
uma temporada de estudos na Europa. Nepomuceno teve seu pedido indeferido.
Em 1885,
mudou-se para o Rio de Janeiro, passando a acompanhar um período de efervescência
social, política e cultural. No Rio, continuou seus estudos de piano no Beethoven Club,
onde depois foi nomeado professor. O clube tinha em seu quadro de funcionários ninguém
menos que Machado de Assis, que trabalhava como bibliotecário. Nepomuceno fez parcerias
com poetas e escritores em várias composições como Artemis (texto de Coelho
Netto), Coração Triste, com Machado de Assis e Numa Concha, com Olavo
Bilac. No ano anterior à abolição da escravatura, Alberto Nepomuceno compôs Dança
de Negros (1887), uma das primeiras composições a utilizar a influência dos ritmos
afro-descendentes na música brasileira.
Finalmente,
veio a oportunidade para estudar na Europa, em agosto de 1888. Em Roma, matriculou-se no
Liceo Musicale Santa Cecilia. Dois anos depois, partiu para Berlim, onde passou a ter o
domínio da língua alemã, ingressando na Academia Meister Schulle. Nas férias, ia
assistir a concertos de Brahms, em Viena. Em 1893, casou-se com a pianista norueguesa
Walborg Bang, que era aluna de Edvard Grieg, o mais importante compositor norueguês da
época. O casal foi morar na casa de Grieg. Essa amizade foi fundamental para Nepomuceno
elaborar seu ideal nacionalista, posteriormente.
No ano
seguinte ao seu casamento, já estava regendo a Filarmônica de Berlim com duas obras
suas. Mas o compositor quis aprimorar seus estudos em Paris, onde conviveu com grandes
mestres. Lá, assistiu à estréia mundial de Prélude à laprès-midi dum
faune, de Claude Debussy. Nepomuceno foi o primeiro a apresentar esta obra no Brasil,
em 1908, nas festas do Centenário da Abertura dos Portos. Em 1900, marcou uma entrevista
com o diretor da Ópera de Viena, Gustav Mahler, buscando negociar a apresentação de sua
ópera Artemis. Contudo, o encontro foi cancelado, pois Nepomuceno adoeceu
gravemente.
O compositor
realizou um concerto histórico em 1895, que lhe rendeu muitas censuras e polêmicas.
Apresentou pela primeira vez, no Instituto Nacional de Música, uma série de canções de
sua autoria em português. Esse fato gerou fortes críticas por parte dos defensores do
canto em italiano. Mas a luta pela nacionalização da música erudita se tornou ainda
mais presente depois que Nepomuceno passou a dirigir a Associação de Concertos
Populares, promovendo o reconhecimento de compositores brasileiros. Alberto Nepomuceno foi
incentivador de grandes compositores nacionais, entre eles Heitor Villa-Lobos, cujas
partituras eram impressas no verso das edições contendo obras de Nepomuceno.
A Série
Brasileira, uma de suas obras mais conhecidas, considerada um marco inicial do
nacionalismo, é dividida em quatro partes. Nesta peça, o compositor mistura folclore, o
maxixe carioca, a música nordestina e ritmos afro brasileiros.
No dia 16 de
outubro de 1920, aos 56 anos, faleceu o notável compositor cearense. Seu grande amigo
Otávio Bevilácqua conta que o Alberto Nepomuceno começou a cantar quando previu a
proximidade da morte.
Alberto
Nepomuceno persistiu em seu ideal até consolidar sua obra como uma das vertentes mais
férteis da música brasileira. Dele, disse certa vez o compositor Villa-Lobos: Eu
não teria escrito minhas canções sem Nepomuceno.
Principais Obras de
Alberto Nepomuceno
Ópera
Porangaba (1897); Ártemis
(1898); e Abul (1905).
Música Orquestral
Scherzo Vivace (1893); Sinfonia em
Sol Menor (1893); Suíte Antiga (1893); Série Brasileira (1896); Andante
Expressivo (1902); Seis Valsas Humorísticas (1903), para Piano e Orquestra; O
Garatuja (1904).
Música de Câmera
Três Quartetos de Cordas; Trio em
Fa Sustenido Menor (1916).
Música para Piano
Solo
Dança de Negros (1887); Sonata (1893);
Galhofeira (1894); Tema e Variações em La Menor (1902); Variações
Sobre Um Tema Original (1902); Noturno n.° 1 (1910); Noturno n.° 2 (1912).
Música Vocal
Canto e orquestra
Medroso de Amor (1894); Epitalâmio (1897); e Filomela (1903).
Canto e Piano
Ora Diz-me a Verdade (1894); Oração ao Diabo (1902); Coração Triste (1903);
Trovas Tristes (1905); Hidrófana (1906); Canção da Ausência (1915);
Canção do Rio (1917) A Jangada (1920); e A Grinalda (s/d).
Canto e Orquestra
Medroso de Amor (1894); Epitalâmio (1897); Filomela (1903); Trovas n.°
1 e 2 (s/d); e Xácara (s/d).
Coro
As Uiaras (1896), para Coro Feminino. |