Foi um dos fundadores e o presidente da Sociedade Cearense
Libertadora, entidade de atuação decisiva para o êxito do movimento abolicionista no
Ceará. Membro ativo do Centro Republicano, participou do primeiro governo do novo regime
no Ceará, como encarregado dos Negócios da Fazenda. Também exerceu mandatos de deputado
federal e senador da República.
PEDRO ARTUR DE
VASCONCELOS
Cearense de
Fortaleza, filho de Manuel José de Vasconcelos e Lina Josefa de Vasconcelos, Pedro Artur
de Vasconcelos nasceu no dia 29 de junho de 1851, vindo a falecer em 6 de julho de 1914.
Estudou no Seminário Diocesano e exerceu a função de Guarda-livros no escritório da
Casa Inglesa. Foi colega de trabalho do abolicionista Alfredo Salgado, um dos membros da
Sociedade Cearense Libertadora. Em defesa da liberdade para os negros, Pedro Artur
participou de vários comícios pelo fim da escravidão. Em um deles, na Praça Castro
Carreira (Praça da Estação), conclamou o povo a impedir os envios de cativos para fora
do Ceará. Em outra oportunidade, no Teatro São Luís, lembrou da possibilidade de se
conseguir dos jangadeiros que estes não transportassem escravos para os navios, surgindo
nessa época sua célebre frase No porto do Ceará não se embarca mais
escravo.
MARIA TOMÁSIA
Nascida em
Sobral, zona norte do Ceará, Maria Tomásia Figueira Lima foi casada com o abolicionista
Francisco de Paula de Oliveira Lima. Era considerada excelente oradora. Sua atuação
junto ao movimento em prol da liberdade dos escravos tornou-a reconhecidamente a alma
feminina da campanha pela abolição. Ocupou o cargo de presidente da Cearenses
Libertadoras, sociedade organizada em uma reunião na chácara de José do Amaral, no
Benfica, na qual esteve presente José do Patrocínio. Durante a solenidade foram
entregues cartas de alforria a seis escravos. Na instalação solene da Cearenses
Libertadoras, fato ocorrido nos salões do Clube Cearense, foi executado o hino da
Sociedade Cearense Libertadora, com música de João Moreira da Costa e letra de Frederico
Severo, além de serem entregues setenta e duas cartas de alforria, concedidas por
eminentes representantes da sociedade cearense.
CARLOS AUGUSTO PEIXOTO
DE ALENCAR
Major do
Exército, posto no qual faleceu a 20 de março de 1900, no Rio de Janeiro, Carlos Augusto
Peixoto de Alencar nasceu no dia 22 de outubro de 1852, em Fortaleza. Em suas andanças
pelo Brasil sempre esteve ao lado dos abolicionistas, tendo fundado, em Manaus, a
Sociedade Libertadora do Amazonas, no ano de 1882. A partir de 1883, no Ceará, participou
das comissões antiescravistas com atuação decisiva a favor da abolição nos
municípios de Icó e Acarape. No Rio de Janeiro, foi membro da Confederação
Abolicionista e, em Corumbá, fundou o jornal O Escravo. Republicano, atuou junto a
José do Patrocínio, Sousa Campos e Padre Trindade na fundação do Clube Republicano, em
1877, o que lhe custou o desterro para São Borja, no Rio Grande do Sul. Aliou os deveres
militares ao prazer intelectual, com especial gosto pelo teatro, tendo escrito a elogiada
comédia À Procura de Um Casamento.
ISAAC CORREIA DO
AMARAL
Filho de
João Antônio do Amaral e Maria Correia de Melo, Isaac Correia do Amaral nasceu em
Fortaleza, no dia 18 de setembro de 1859, vindo a falecer em abril de 1942, no sítio
Bonfim, localizado na serra de Guaramiranga. Em 1871 viajou para a Alemanha, onde cursou o
Liceu Prussiano, na cidade de Altona. Ao retornar, demorou algum tempo em Lisboa, a fim de
retomar o idioma português. No Ceará, foi um dos mais convictos abolicionistas e um dos
fundadores da Sociedade Cearense Libertadora, seguindo a atuação de sua família. Esteve
no Amazonas, onde participou ativamente da campanha abolicionista. Projetista, chegou a
planejar e levantar os alicerces de um teatro a ser construído no centro da atual praça
José de Alencar. Seus projetos mais conhecidos, ainda existentes na cidade de Fortaleza,
são a Igreja do Pequeno Grande e o Parque da Independência, atual Cidade da Criança. |